quarta-feira, 30 de junho de 2010

Idades, diferenças e relações...

A diferença de idades entre homem e mulher pode ou não afectar a relação do casal? Em minha opinião é como tudo, depende de muitas coisas, mas à partida penso não ser esse o factor determinante por si só.
Devo ainda acrescentar que até tenho uma certa tendência para as mulheres mais velhas. Não muito mais, mas com uns anitos de diferença. Não sei bem porquê, mas há ali alguma coisa que me cativa.

A propósito deste assunto, deixo aqui duas sugestões de leitura.

a) A Belota publicou este post no seu blogue. Engraçado e de forma simples passa uma opinião sobre o assunto.

b) O jornal i publicou este artigo com exemplos de casais onde as diferenças etárias são acentuadas e onde a mulher é mais velha.



É ler e tirar elacções!

terça-feira, 29 de junho de 2010

A espuma dos dias...





Entre futebol mundial e futebol no campo tenho andado assim a modos que pouco inspirado para escrever aqui no blogue. De qualquer forma não podia deixar de assinalar aqui a imagem que o Google coloca hoje como destaque da página, marcando o 110º aniversário de Saint-Exupéry. É daquelas coisas que se vêm e já nos alegram o dia.

domingo, 27 de junho de 2010

O amor numa frase (5)

"O ódio pode ser perspicaz, mas nunca num sentido maior. Só o amor possui um horizonte"


Vilhelm Ekelund




Se há coisa na qual acredito é no amor. E se há forma de vencer barreiras é através do amor. Seja ele entre duas pessoas, a entrega ao que se faz ou o amor de forma mais universal, passa sempre pela capacidade de amar a resolução de muitas das situações que temos de enfrentar ao longo da vida.

O Amor, by Miguel Esteves Cardoso

Apanhei este texto aqui e não resisti também eu a dar-lhe destaque!



"Há coisas que não são para se perceberem. Esta é uma delas. Tenho uma coisa para dizer e não sei como hei-de dizê-la. Muito do que se segue pode ser, por isso, incompreensível. A culpa é minha. O que for incompreensível não é mesmo para se perceber. Não é por falta de clareza. Serei muito claro. Eu próprio percebo pouco do que tenho para dizer. Mas tenho de dizê-lo.

O que quero é fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria.

Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo". O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas.

Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas.

Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo?

O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso "dá lá um jeitinho sentimental". Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassado ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar.

O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto. O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não é para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende.

O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não está lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem. Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir. A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a Vida inteira, o amor não. Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também."


"Elogio ao Amor" - Miguel Esteves Cardoso (Expresso)

sábado, 26 de junho de 2010

Virtudes e defeitos! Desafio...

Tal como prometido, seguem agora os 5 defeitos escolhidos!

Inseguro. Sobretudo em questões sentimentais. Demoro sempre algum tempo a decidir-me.
Pessimista. Tenho a tendência para ver as coisas sempre mais pelo seu lado difícil. Eu acho que sou mais realista do que pessimista, mas há quem diga que não.
Saudosista. Não sendo esta uma coisa necessariamente má, acho que por vezes tenho a tendência para ficar a pensar no passado e perco assim algumas coisas deste presente e futuro. Mas ainda assim sou um defensor das tradições e no passado é que está muito do nosso futuro.
Teimoso. Sim, assumo que por vezes o seja. Mas mais quando sei que tenho mesmo razão. Às vezes também dou um jeito só para gerar um bom debate, daqueles que nos enchem e nos obrigam a pensar. Quando sei que não vale sequer a pensa discutir, até prefiro por vezes ficar a perder do que estar a teimar!
Preguiçoso. Não será bem a palavra certa, mas tenho dias em que não consigo mesmo vencer a inércia e depois fico algo deprimido e a sentir que foi mais um dia que passou sem fazer nada de útil.

E pronto, aqui fica respondido o desafio. Se entretanto surgirem mais qualidades e defeitos, pode ser que voltemos aqui noutra altura.
Passo também o desafio a quem o quiser levar...

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Virtudes e defeitos! Desafio...

Andava por aí pelos blogues, que como já aqui expliquei, aumento de dia para dia a minha lista, quando me deparei com este pequeno desafio. Geralmente não sou muito dado a enumerar características minhas, preferindo sempre que sejam os outros a fazê-lo, mas desta vez achei engraçado! Mas devo dizer que não é fácil!

5 maiores virtudes:



Sinceridade. Tento sempre ser o mais sincero possível, seja em que situação for, tanto para comigo como para com os outros.
Atento. Tenho muita, às vezes demasiada atenção ao que me rodeia. Daí andar sempre a pensar em tudo e mais alguma coisa.
Sociável. Costumo dizer que sou reservado mas não tímido. Quem me conhece sabe que facilmente fala comigo sem grandes problemas. E se quiserem uma daquelas conversas intermináveis, já estou eu.
Prestável. Gosto de ajudar se me pedem alguma coisa.
Fiel. Por norma sou fiel a princípios e a valores que considero fundamentais. O mesmo se passa com as pessoas.


Por agora ficam só as virtudes. Em breve os defeitos.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Amores, paixões e loucuras...

Ontem falava com uma amiga na net, daquelas conversas sobre tudo e sobre nada, mas que têm tendência a focar a temática dos sentimentos, relações e afins. A certa altura, dizia eu que devia arriscar mais em certas situações, e que não devia pensar tanto, e que por isso já tinha perdido algumas coisas boas. Ao que ela me responde com um seco "estás à espera de quê! Faz uma loucura se quiseres! Desde que te sintas bem com isso!"
Às vezes bem me apetece, mas as coisas não são assim tão lineares. Quer dizer, por vezes até são, eu é que não o vejo assim ou quando o vejo, já passou. Tenho mesmo de tentar libertar as amarras e voar mais alto.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Sons que ficam...

Estive a ouvir o álbum Bigger, Better, Faster, More dos 4 Non Blondes, de 1993, e é incrível como há músicas que passados todos este anos nos continuam a fazer gostar de ouvir um disco. Arrisco-me a dizer que este som soa melhor agora do que na altura, uma vez que por estes dias a música evoluiu por caminhos tão diferentes que sabe bem ouvir umas guitarras a sério. E depois há a Linda Perry e aquela atitude que só ela tinha, e aquela energia que ela transportava para cada música que cantava. Sei que não é a melhor banda de sempre, mas também temos de alimentar os nossos pequenos prazeres.

Os blogues!

A minha lista de blogues favoritos no browser não pára de aumentar de dia para dia! É rara a vez em que me ponho a ler algum dos blogues que acompanho regularmente e que não acrescente um novo aos favoritos para lá voltar. Em geral não consigo resistir à lista que cada blogue tem de links e é aí que tenho encontrado algumas boas surpresas e me tenho perdido em bons momentos de leitura. Às vezes basta-me ler um ou dois posts para perceber que quero lá voltar e começar a acompanhar o o que aquela pessoa escreve. Provavelmente um dia destes irei ter mesmo de fazer uma revisão dos meus favoritos e deixar alguns de lado, pois torna-se impossível acompanhar todos, mas até lá vou absorvendo as vossas partilhas, devaneios, loucuras, alegrias e tristezas.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Amores de Verão!

Agora que a estação mais aguardada do ano chegou em força, e que o calor veio para ficar, quero deixar aqui a minha total aprovação aos amores de Verão. Surjam eles na praia em férias, numa noite mais quente ou apenas num bar depois de uma conversa e uns copos, o importante é que eles aconteçam. Nesta altura as coisas parecem sempre correr de feição para que tal assim seja, e ainda bem, pois sabem sempre tão bem uns beijos ao ar livre numa noite quente só com o céu à vista, à beira mar ou no campo.
E se há coisa de que eu tenho saudades é de te beijar. E pensar que foi também numa noite de Verão que tudo começou. Ainda sinto o calor do teu corpo e o friozinho no estômago provocado pelo nervoso que me envolvia. Foi mais que um amor de Verão, mas será sempre nesta altura que me lembrarei de ti e dos nossos bons momentos!

O amor em música (2)



Esta é daquelas que nos deixam sem palavras. Isso mesmo, sem saber o que dizer de uma letra tão simples mas ao mesmo tempo tão reveladora. E como eu acho que nas coisa simples é que residem os segredos para muitas das coisas boas da vida, não podia faltar aqui.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

O fim de uma era!

Como este é um espaço de teorias simples onde cabe tudo e mais alguma coisa, vou aqui abordar um tema que à primeira vista tem pouco a ver com o que até agora tem preenchido os diversos posts.



Pois bem, neste mundial de futebol, mais do que de certos futebolistas ou equipas, estou a sentir falta de um modelo de chuteiras. Durante anos a fio, eram quase um exclusivo nos pés dos jogadores que disputavam os grandes jogos. Estiveram nos pés de grandes jogadores de outros tempos e apontaram alguns dos golos mais memoráveis da história do futebol. Mas neste mundial, e tenho estado atento a esse pormenor, é com grande mágoa que quase vejo desaparecer esse símbolo mítico, que são as ADIDAS WORLD CUP!
Se bem me recordo e se não me engano, até agora só dois jogadores usaram estas botas, sendo um deles o guarda-redes brasileiro Júlio César. E neste momento há uma grande rivalidade Adidas-Nike na disputa do calçado usado, mas a meu ver com vantagem neste momento para a Nike, o que até isso é novidade, pois a Adidas sempre teve ascendente nesta matéria.
Modelo clássico de bota de futebol, as clássicas três riscas na diagonal, sobre fundo preto estão em vias de extinção dos relvados. É certo que é um tipo de chuteira que se tem mantido quase inalterado ao longo dos tempos, de estilo vintage e que já não responde às necessidades actuais do futebol moderno, mas quanto a mim continuam a ser as mais bonitas botas de futebol!
E pronto, acho que o amor também pode ser isto!

domingo, 20 de junho de 2010

Dois anos depois...

Faz hoje dois anos que nos beijámos pela primeira vez. Dois anos depois ainda sinto por ti o mesmo que sentia nessa altura. A mesma vontade de te beijar invade-me e permanece intacta.
Lembrar agora aquela noite quente de Verão é voltar a um passado bonito, que recordarei sempre com saudade e a sensação de que muito ficou por fazer e dizer.
Este é daqueles momentos sobre os quais penso recorrentemente e mergulho sempre numa imensa saudade. Se o tempo pudesse ser de alguma forma manipulado e pudéssemos voltar atrás!... A nostalgia dos beijos, dos carinhos, do toque suave da tua boca... Cada vez que penso nisto fico com uma angústia enorme e as saudades são mais que muitas.
De todas as raparigas de quem alguma vez possa ter gostado, és de longe aquela de quem mais me aproximei e amei! E de longe a que mais me deu! E de todas as que se cruzaram no meu caminho, és de longe a de quem mais me custa afastar! Daqui a 10 anos ainda me custará!

Foi realmente "The time of my life"

sábado, 19 de junho de 2010

Mulheres que encantam #2


Esta "menina" é mais uma daquelas que me enchem as medidas. Mais uma cara da RTPN que marca posição no ecrã diariamente e marca pontos pela sua beleza. Simples e discreta a Inês Gonçalves está lá. E quanto a mim, tem um dos olhares que mais me prende neste momento no universo feminino televisivo.

O amor numa frase (4)


"Love me little, love me long".
Há muita verdade neste lindo provérbio inglês. O que é violento é perecível. O que é calmo é duradouro. Um amor brusco e irreflectido, e com natureza de chama participaria da essência dessa primeira ilusão de que eu falei há pouco, e estaria condenado, como toda a chama, a consumir-se a si mesmo. É necessário que as coisas cresçam devagar e lentamente — para que durem muito

Eça de Queiroz

sexta-feira, 18 de junho de 2010

O amor está nas pequenas (grandes) coisas!



"O homem mais sábio que conheci em toda a minha vida não sabia ler nem escrever. As quatro da madrugada, quando a promessa de um novo dia ainda vinha em terras de França, levantava-se da enxerga e saía para o campo, levando ao pasto a meia dúzia de porcas de cuja fertilidade se alimentavam ele e a mulher. Viviam desta escassez os meus avós maternos, da pequena criação de porcos que, depois do desmame, eram vendidos aos vizinhos da aldeia. Azinhaga de seu nome, na província do Ribatejo.

Chamavam-se Jerónimo Melrinho e Josefa Caixinha esses avós, e eram analfabetos um e outro. No Inverno, quando o frio da noite apertava ao ponto de a água dos cântaros gelar dentro da casa, iam buscar às pocilgas os bácoros mais débeis e levavam-nos para a sua cama. Debaixo das mantas grosseiras, o calor dos humanos livrava os animaizinhos do enregelamento e salvava-os de uma morte certa. Ainda que fossem gente de bom caráter, não era por primores de alma compassiva que os dois velhos assim procediam: o que os preocupava, sem sentimentalismos nem retóricas, era proteger o seu ganha-pão, com a naturalidade de quem, para manter a vida, não aprendeu a pensar mais do que o indispensável.

Ajudei muitas vezes este meu avô Jerónimo nas suas andanças de pastor, cavei muitas vezes a terra do quintal anexo à casa e cortei lenha para o lume, muitas vezes, dando voltas e voltas à grande roda de ferro que acionava a bomba, fiz subir a água do poço comunitário e a transportei ao ombro, muitas vezes, às escondidas dos guardas das searas, fui com a minha avó, também pela madrugada, munidos de ancinho, panal e corda, a recolher nos restolhos a palha solta que depois haveria de servir para a cama do gado. E algumas vezes, em noites quentes de Verão, depois da ceia, meu avô me disse: "José, hoje vamos dormir os dois debaixo da figueira". Havia outras duas figueiras, mas aquela, certamente por ser a maior, por ser a mais antiga, por ser a de sempre, era, para toda as pessoas da casa, a figueira.

Mais ou menos por antonomásia, palavra erudita que só muitos anos depois viria a conhecer e a saber o que significava... No meio da paz noturna, entre os ramos altos da árvore, uma estrela aparecia-me, e depois, lentamente, escondia-se por trás de uma folha, e, olhando eu noutra direção, tal como um rio correndo em silêncio pelo céu côncavo, surgia a claridade opalescente da Via Láctea, o Caminho de Santiago, como ainda lhe chamávamos na aldeia. Enquanto o sono não chegava, a noite povoava-se com as histórias e os casos que o meu avô ia contando: lendas, aparições, assombros, episódios singulares, mortes antigas, zaragatas de pau e pedra, palavras de antepassados, um incansável rumor de memórias que me mantinha desperto, ao mesmo tempo que suavemente me acalentava. Nunca pude saber se ele se calava quando se apercebia de que eu tinha adormecido, ou se continuava a falar para não deixar em meio a resposta à pergunta que invariavelmente lhe fazia nas pausas mais demoradas que ele calculadamente metia no relato: "E depois?". Talvez repetisse as histórias para si próprio, quer fosse para não as esquecer, quer fosse para as enriquecer com peripécias novas.

Naquela idade minha e naquele tempo de nós todos, nem será preciso dizer que eu imaginava que o meu avô Jerónimo era senhor de toda a ciência do mundo. Quando, à primeira luz da manhã, o canto dos pássaros me despertava, ele já não estava ali, tinha saído para o campo com os seus animais, deixando-me a dormir. Então levantava-me, dobrava a manta e, descalço (na aldeia andei sempre descalço até aos 14 anos), ainda com palhas agarradas ao cabelo, passava da parte cultivada do quintal para a outra onde se encontravam as pocilgas, ao lado da casa. Minha avó, já a pé antes do meu avô, punha-me na frente uma grande tigela de café com pedaços de pão e perguntava-me se tinha dormido bem. Se eu lhe contava algum mau sonho nascido das histórias do avô, ela sempre me tranqüilizava: "Não faças caso, em sonhos não há firmeza".

Pensava então que a minha avó, embora fosse também uma mulher muito sábia, não alcançava as alturas do meu avô, esse que, deitado debaixo da figueira, tendo ao lado o neto José, era capaz de pôr o universo em movimento apenas com duas palavras. Foi só muitos anos depois, quando o meu avô já se tinha ido deste mundo e eu era um homem feito, que vim a compreender que a avó, afinal, também acreditava em sonhos. Outra coisa não poderia significar que, estando ela sentada, uma noite, à porta da sua pobre casa, onde então vivia sozinha, a olhar as estrelas maiores e menores por cima da sua cabeça, tivesse dito estas palavras: "O mundo é tão bonito, e eu tenho tanta pena de morrer". Não disse medo de morrer, disse pena de morrer, como se a vida de pesado e contínuo trabalho que tinha sido a sua estivesse, naquele momento quase final, a receber a graça de uma suprema e derradeira despedida, a consolação da beleza revelada. Estava sentada à porta de uma casa como não creio que tenha havido alguma outra no mundo porque nela viveu gente capaz de dormir com porcos como se fossem os seus próprios filhos, gente que tinha pena de ir-se da vida só porque o mundo era bonito, gente, e este foi o meu avô Jerónimo, pastor e contador de histórias, que, ao pressentir que a morte o vinha buscar, foi despedir-se das árvores do seu quintal, uma por uma, abraçando-se a elas e chorando porque sabia que não as tornaria a ver."



Discurso na Academia Sueca
(ao receber o Prêmio Nobel de Literatura)
José Saramago (1998)

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Já passou, venha o próximo!!!

Deixem-se lá de lamentar o resultado com a Costa do Marfim. A super favorita Espanha hoje perdeu com a Suíça e vai daí até pode dar jeito, dado que o nosso grupo cruza com o deles, e não estou a ver que o Brasil queira jogar com os nuestros hermanos já nos oitavos!!
E se viermos embora mais cedo, também não vem mal nenhum ao mundo!

terça-feira, 15 de junho de 2010

Diz que mais logo joga a "Canarinha"

Free Hugs!

Ainda sobre os abraços... é tão bom, sabe tão bem e não custa nada! Vá lá, não dói nada e pode fazer milagres no momento certo!



segunda-feira, 14 de junho de 2010

Ai como eu gosto de futebol!



Por aqui por estes lados também se nutre um grande amor pelo "desporto rei", e vai daí há que partilhar convosco toda a beleza deste desporto! Só é pena o Meo não dar para configurar uma câmara só para acompanhar os adeptos. Estou certo que a beleza do jogo aumentaria consideravelmente!


Imagens daqui.

Novo design!

Resolvi aproveitar as novas funcionalidades introduzidas pela Google-Blogger e mudei o esquema da página. Espero que gostem!

O amor em música (1)

Por vezes um abraço é mais do que suficiente para mostrar tudo aquilo que sentimos. E que bem sabe um abraço. Sentir a outra pessoa bem colada a nós, o bater dos corações, o respirar...

sábado, 12 de junho de 2010

O amor numa frase (3)


[Disse JESUS:] "Não há nenhuma árvore boa que dê frutos ruins nem árvore ruim que dê frutos bons. Qualquer árvore se reconhece pelos seus frutos. Não se colhem frutos dos espinheiros nem uvas das silvas. Quem é bom diz coisas boas, porque tem um tesouro de bondade no seu CORAÇÃO, mas quem é mau diz coisas más, porque o seu CORAÇÃO está cheio de maldade. Cada qual fala daquilo que transborda do seu CORAÇÃO."

Lucas 43-45

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Frase do momento!

Ela (para ele): Posso soprar na tua vuvuzela!?

Desculpem mas não resisti!

:)

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Day Off!

Hoje como é feriado e dia de descanso, deixo apenas uma música para animar o dia!

quarta-feira, 9 de junho de 2010

O que elas querem!? (continuação)

E eis que de repente, no dia em que também escrevi aqui parte da minha visão a este sempre presente dilema relacional, aparece uma bela resposta no blog da nossa cara Rosa Cueca.
Com a devida vénia deixo aqui um pequeno excerto. O resto acho que lá devem ir ver.

Gostamos muito de elogios, mas gostamos mais de sinceridade - façam da verdade uma aliada porque somos quem melhor sabe que não somos perfeitas. É importante que se focalizem naquilo que gostam em nós e o transmitam - verbalmente ou não.

The moment of truth!

Hoje é dia de decidir! Ir ou ficar!? Think, think... Pensar racionalmente às vezes pode ser tão difícil.

terça-feira, 8 de junho de 2010

O que elas querem!?

Ora aqui esta uma questão intemporal e de resposta bastante difícil! Eu ainda sou daqueles que acha que a vida é simples, que não é fácil, isso sim. Simples de viver, nada fácil de gerir em todas as suas vertentes!
Mas o que será que as mulheres querem de nós Homens, afinal!? Na minha opinião, de alguém para quem a vida é simples, elas querem apenas coisas simples, tais como, a atenção, a presença, a sinceridade e acima de tudo a genuinidade. Desengane-se quem pense que pode criar uma personagem e alimentar uma relação assim, pois mais tarde ou mais cedo as coisas acabam por correr mal.
De qualquer forma, por este ser um tema que dá para uma ampla discussão, voltarei a ele mais algumas vezes.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Knock Out!

Depois de nos últimos dias ter andado a moer o cérebro com pensamentos sobre o Ti, sobre o passado e sobre os bons e maus momentos, estou completamente de rastos. Nem conclusões nem andar para a frente! Estou na mesma. I'm in love...

domingo, 6 de junho de 2010

Need you now!

É só isto que eu tenho a dizer: preciso de ti!

sábado, 5 de junho de 2010

O amor numa frase (2)... (continuação)

Sobre esta última frase tenho a dizer ainda que por vezes os erros são mesmo ridículos. Ao ponto de passado algum tempo, de discernirmos bem sobre os assuntos, não ser possível entender como foi possível cometer tal erro. Para o bem e para o mal, o amor faz com que façamos coisas realmente difíceis de explicar. E o pior é quando não nos apercebemos a tempo e depois já não há hipótese de recuperar. Aguenta coração!

O amor numa frase (2)


"Todas as paixões nos levam a cometer erros, mas o amor faz-nos cometer os mais ridículos"
François La Rochefoucauld

Por acaso concordo com a afirmação. Se bem que não considere que sejam assim tão ridículos. Diria que talvez sejam um pouco mais ingénuos. E que só nos apercebemos realmente das coisas depois delas terem passado por nós! O amor tolda-nos o pensamento racional e as reacções mais elaboradas tornam-se mais difíceis! Mas também, será esse o condimento para que nos sintamos motivados a amar aquele alguém especial, e que nos atiremos sem reserva na entrega a esse amor.

Aguenta!

Não comprei uma bicicleta nem arranjei uma namorada, mas já comecei a fazer exercício. Para já, a motivação está em alta. Tal como as dores nas pernas. Vamos a ver se desta me ponho em forma.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

O estado a que isto chegou! (#1)

Por este andar o nosso PM não tarda estará também a engrossar as listas de desempregados do país. O que lhe vale é que nós somos solidários e ajudamos a pagar-lhe o subsidio para que ele não morra de fome. Coitado!
Mas se calhar sou só eu que penso assim, não sei!

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Two years ago!

Ha dois anos atrás eu era uma pessoa bem mais feliz! A perspectiva de novos desafios e a companhia de alguém especial animavam os dias e tudo era bem mais positivo. Passado este tempo tudo se esfumou! Estou triste!

Mulheres que encantam #1

A Estela Machado, pivot da RTPN, quanto a mim, dispensa comentários. Bonita, inteligente e com uma presença muito acima da média no panorama nacional.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Sexo de volta à cidade...

Não vou ver o filme "Sexo e a Cidade 2". Não tenho nada contra o filme, nem tão pouco contra quem vê. Seja porque motivo vejam o filme, acho bem que o façam. Quer sejam fãs desde o inicio, para fazer a vontade aos namorados ou namoradas, maridos ou esposas, que vos arrastam para a sala de cinema, ou apenas para poderem estar a par do que se passa por lá, e assim poderem sentir-se integrados, vejam. Mas depois podiam estar sossegados e deixar de comentar de forma muitas vezes ridícula muitos dos posts que pululam aqui pelos blogs. Quanto a mim, não vou ver porque pura e simplesmente não me desperta interesse. Nunca vi a série e tenho vivido bem com isso.

Vuvuzela!

Já não há paciência para esta nova e inenarrável descoberta tuga que é a vuvuzela! Só mesmo gente como o povo tuga para aderir a tudo e mais alguma coisa que lhes metam à frente. Sobretudo se for de plástico e não servir para nada. E a Galp que ainda ganha uns milhares à conta destas coisas, isto para já nem falar dos preços dos combustíveis praticados por estes dias e que nós, impavidamente aceitamos sem piar. Certo é que a "corneta" africana veio para ficar. Ao menos que se aprenda a tocar o "I Gotta Feeling" dos Black Eyed Peas com aquilo. Isso sim, seria uma ideia interessante. Quanto a mim, talvez um dia destes compre uma, guardo-a intocável numa caixa, e daqui a uns anos ainda nos havemos de rir muito à conta disso.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Eurovisão!

Bem sei que a Eurovisão já não é a mesma coisa, pelo menos é o que dizem. Ao contrário dos anos anteriores em que acompanhei a final do festival, este ano não consegui. Mas felizmente que existe a web para vermos os vídeos. Para já fica aqui a vencedora. Não vou tecer considerações sobre a justiça ou não do resultado, pois afinal são as pessoas que votam e desta feita a vitória sorriu à Alemanha. Não é uma grande música, mas ouve-se bem, fica no ouvido e dentro do pop style que se quer para o evento cumpre os requisitos.